quarta-feira, 21 de abril de 2010

Pesquisador da UnB desenvolve tijolo produzido com papel

Silvia Pacheco - Correio Braziliense

Fabricado a partir de fibras de embalagem de cimento, resistente e mais econômico que os blocos comuns, o novo produto se mostra ambientalmente vantajoso
Paula Carvalho/Esp. CB/D.A Press
"A técnica é simples. Pode ser utilizada, por exemplo, em construções populares" - Márcio Buson, pesquisador da UnB

Um dos materiais mais importantes nas construções, o tijolo agora pode ser feito de papel. É o que demonstra uma pesquisa realizada pelo professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU/UnB), Márcio Buson. O especialista criou um bloco compactado feito a partir da mistura de terra com as fibras das embalagens de cimento, o papel kraft. "Basicamente, eu pego o solo e incorporo essas fibras para formar o composto. Depois, estabilizo com um pouco de cimento para melhorar as propriedades finais do material", explica o professor.

Apelidado de kraftterra, o tijolo é apontado por pesquisadores da UnB como uma alternativa viável para a construção civil e uma boa maneira de reaproveitar os sacos de cimento, considerados altamente poluentes. "O saco de cimento é um resíduo que não é absorvido em nenhum processo de produção. Agregado à fabricação do kraftterra, ele é muito bem-vindo", aponta Raquel Naves Blumenschein, professora da FAU/UnB e coordenadora do Laboratório do Ambiente Construído, Inclusão e Sustentabilidade (Lacis).

A fabricação do kraftterra é realizada a partir da reciclagem das embalagens de cimento e é composta por seis etapas. Segundo o arquiteto, a grande característica das fibras do papel kraft, depois da reciclagem, é que elas são longas e, com isso, dão mais liga ao composto. "O material ligante faz com que a retração da terra depois da secagem do material diminua. Se a retração for grande, o tijolo trinca, e isso não é bom", explica Buson.

Nos ensaios feitos em laboratório, durante o mestrado na Universidade de Aveiros, em Portugal, o professor da UnB realizou diversos testes para avaliar a resistência do kraftterra a impactos. O novo produto se mostrou vantajoso quando comparado ao tijolo comum - bloco de terra compactado (BTC), composto pela mistura de terra crua com cimento. "Observamos que o kraftterra melhora as propriedades físicas e mecânicas, tornando-se mais resistente à compressão, o que é importante para sustentar uma construção", diz o pesquisador. Além da resistência, a produção do kraftterra traz economia. Na pesquisa, Buson conseguiu diminuir pela metade o uso de cimento para a fabricação dos blocos.

Outra performance de destaque no estudo foi a resistência do kraftterra em relação ao fogo. Os testes mostraram que as paredes de kraftterra, ao serem submetidas a calor constante de 200ºC, por duas horas, apresentaram variação de 60ºC, enquanto as de tijolo comum essa mudança foi de 70ºC. "Ficamos receosos quanto à resistência ao fogo, devido a presença da fibra de papel. No entanto, os valores apresentados qualificam o kraftterra como um material corta-fogo", comenta Buson. "Os pesquisadores que acompanharam os testes em Portugal não conseguiam acreditar quando viram os resultados de resistência ao fogo do material", completa.

Porém, nos testes de absorção de água, o produto apresentou cerca de 7,6% mais absorção que o tijolo comum. De acordo com Buson, esse aspecto torna a construção mais suscetível a infiltrações. A solução achada, então, foi a adição da seiva da babosa à composição. "A seiva diminuiu a absorção de água pelo material em 6%, em comparação ao tijolo de solo-cimento. Isso demonstra que a técnica é versátil, pois permite a modificação das características do material por meio da adição de outras substâncias", observa.

Reciclagem

A maior vantagem do kraftterra, no entanto, tanto na opinião do autor do estudo como na de outros pesquisadores da UnB, é o fato de ele ajudar na preservação do meio ambiente. Isso porque evita que a embalagem de cimento seja jogada no lixo. "Não há um descarte correto para esses sacos, que acabam indo para aterros e lixões, comprometendo a qualidade do solo e da água e até obstruindo bueiros", explica Raquel Blumenschein.

Buson relata que, em ensaios laboratoriais, foi capaz de reciclar 130 sacos de cimento em um tonel de 220l, num período de apenas 15 minutos. "Uma pequena casa de dois cômodos, com 50m², por exemplo, leva em torno de 15 mil tijolos. Na composição desses tijolos, estariam 15 mil sacos de cimento reciclados. Ou seja, menos 15 mil sacos jogados na natureza", comemora.

A aplicação da técnica do kraftterra pode ser utilizada em vários outros métodos de composição de tijolos, como os blocos de terra compactado (BTC), os blocos de terra adensados, conhecidos como adobe, e a taipa de pilão. "Além de barata, a técnica é simples. Pode ser utilizada, por exemplo, em construções populares", afirma o especialista.

O professor da UnB ressalta que ainda é cedo para a utilização da tecnologia nas obras. O próximo passo é avaliar o comportamento do kraftterra em um canteiro experimental. "Seria irresponsável colocar o produto para a execução de obras. É preciso testá-lo primeiro em meio às intempéries do clima", explica.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Bancos são proibidos de cobrar tarifa por emissão de boleto bancário

A 4ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu que a cobrança, feita pelos bancos, de tarifa pela emissão de boleto bancário ou ficha de compensação é abusiva. Para os ministros, que rejeitaram recurso do ABN Amro Real e do Banco do Nordeste do Brasil, a taxa constitui vantagem exagerada dos bancos em detrimento dos consumidores.
Segundo o STJ, os serviços prestados pelo banco são remunerados pela tarifa interbancária e, assim, a cobrança de tarifa dos consumidores pelo pagamento mediante boleto ou ficha de compensação constitui enriquecimento sem causa por parte das instituições financeira, pois há “dupla remuneração” pelo mesmo serviço.
O Ministério Público do Maranhão ajuizou ação civil pública contra vários bancos que insistiam em cobrar indevidamente tarifa pelo recebimento de boletos e fichas de compensação em suas agências. Para o MP, a ilegalidade de tal prática já foi reconhecida pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos), por conta da existência de tarifa interbancária instituída exclusivamente para remunerar o banco recebedor.
Em primeira instância, os bancos foram proibidos de realizar tal cobrança sob pena de multa diária de R$ 500 por cada cobrança. A sentença foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Maranhão.
Os bancos então recorreram ao STJ alegando que a cobrança de tarifa é legal, e que o Ministério Público não tem legitimidade para propor tal ação, já que os direitos dos clientes não são difusos, coletivos e, tampouco, individuais homogêneos.
Em seu voto, o relator do caso, ministro Luis Felipe Salomão, ressaltou que cabe ao consumidor apenas o pagamento da prestação que assumiu junto ao seu credor, não sendo razoável que ele seja responsabilizado pela remuneração de serviço com o qual não se obrigou, nem tampouco contratou, mas que é imposto como condição para quitar a fatura recebida.
Para ele, tal procedimento gera um desequilíbrio entre as partes, pois não é fornecido ao consumidor outro meio para o pagamento de suas obrigações.
Segundo o relator, a legitimidade do Ministério Público é indiscutível, pois a referida ação busca a proteção dos direitos individuais homogêneos e a defesa do consumidor, conforme prevêem os artigos 127 da Constituição Federal e 21 da Lei 7.327/85. Ao rejeitar o recurso dos bancos, a Turma manteve a multa diária, uma vez que não é possível determinar a quantidade de consumidores lesados pela cobrança indevida da tarifa

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Real ganha novas notas

Ministério da Fazenda e Banco Central (BC) apresentam cédulas que começam a entrar em circulação ainda este semestre. Elas terão tamanhos diferentes para aumentar a segurança

Jornal Estado de Minas

Até 2012, 4,2 bilhões de unidades de cédulas do real em circulação no país serão substituídas pela nova família da moeda apresentada nesta quarta-feira pelo Ministério da Fazenda e Banco Central (BC). Mais modernas e seguras, as notas manterão a figura da República, animais da fauna brasileira e cores predominantes na primeira versão lançada em 1994. As novidades ficam por conta dos elementos gráficos aplicados para aumentar a segurança contra falsificação e facilitar a identificação dos valores por deficientes visuais. Além da variação nas dimensões, já que, quanto maior o valor da cédula, maior será seu tamanho, ainda haverá marcas táteis, em relevo, aprimoradas em relação às atuais.
Nas notas de R$ 50 e R$ 100, a maior mudança será a inclusão de uma faixa holográfica com desenho personalizado. Outra alteração será quanto à posição dos animais que passa a ser horizontal em todas as notas. “Estamos emitindo cédulas de última geração que são compatíveis com as mais modernas do mundo, como o euro e o dólar", afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Ele ainda mencionou a internacionalização da economia brasileira, que reforça a importância de estar mais bem preparada para que o real tenha circulação no exterior.
Com a renovação do maquinário, a Casa da Moeda voltará a ser competitiva para produzir cédulas e moedas para outros países, segundo o diretor de Administração do BC, Anthero Meirelles. "Com esses equipamentos, a Casa da Moeda pode imprimir moedas de qualquer país", disse Anthero.
Segundo o BC, a substituição será feita de forma gradativa, à medida que as cédulas atualmente em circulação forem substituídas em decorrência do desgaste natural. “As duas famílias, vão conviver. Não é necessário que a população vá ao banco trocar as notas", afirmou o presidente do BC, Henrique Meirelles. As primeiras a chegarem ao bolso dos brasileiros, ainda neste semestre, serão as notas de R$ 50 e R$ 100, por demandarem maior segurança. No início de 2011 será a vez das cédulas de R$ 20 e R$ 10 e um ano depois começam a circular as de R$ 2 e R$ 5. Apesar de ser contemplada no projeto, a nota de R$ 1, extinta para dar lugar à moeda, não tem previsão de ser relançada, já que, segundo o BC, tem vida útil inferior às das notas de maior valor. A expectativa é de que até a Copa do Mundo de 2014, 100% do dinheiro em circulação seja da nova família.
A implantação do projeto das novas cédulas, que vem sendo desenvolvido desde 2003 pelo BC com a Casa da Moeda, representará um aumento de 28% nos custos de produção. Até hoje, o BC pagava R$ 168 para cada mil cédulas produzidas pela Casa da Moeda, valor que sobe para cerca de R$ 200. Ainda foram investidos R$ 230 milhões na aquisição de equipamentos de última geração na área de impressão de segurança. Custo que deve ser compensado pelo aumento da durabilidade das novas notas, que terão uma vida útil 30% maior, em consequência de um processo de envernizamento pelo qual passarão depois da impressão. Atualmente, as notas de maior valor circulam em média de 2,5 a 3 anos. Já as de menor valor duram cerca de um ano.
Deficiente visual desde os 12 anos, o aposentado Mário Alves de Oliveira está descrente quanto às mudanças propostas para as cédulas do real. “Diferença de tamanho não ajuda em nada, já que se eu tiver somente uma nota de R$ 2 na mão, sem outra referência de nota maior ou menor, não saberei se é de fato aquele valor. A dúvida é muito pior do que não saber”, afirma. Em vários contatos com o Banco Central e Casa da Moeda, ele tentou alertar sobre a ineficiência da medida, mas sem êxito. “Mandei uma proposta de sistema que desenvolvi. Em cada nota seriam impressos símbolos bem distintos com quatro pontos, em uma textura áspera, para identificação do valor”, conta. Quanto às marcas em relevo que serão adotadas, Mário afirma que não terão como princípio a identificação por cegos, mas a prevenção de falsificações. “Já conversei com pessoas do Banco Central que me informaram isso. São praticamente imperceptíveis ao tato”, conta. “Foram pessoas que enxergam que criaram isso. Já contatei outros cegos, inclusive em Portugal, que disseram que diferença de tamanho não é a saída.”

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

10 Dicas Financeiras para realizar seus sonhos em 2010



Todos nós buscamos ter um 2010 repleto de saúde física, espiritual e, também, financeira, mas como fazer com que isso se transforme em realidade? Para facilitar essa jornada, elaborei algumas dicas simples e práticas. Na qual mostro que é importante combater a causa dos problemas financeiros e não o efeito, para gerar uma nova cultura de educação financeira:

1. Realizar reunião mensal com toda família, inclusive com os filhos, independente da idade, é preciso que todos participem e mostrando que para cada despesa paga, o dinheiro vai se acabando e, conseqüentemente, sobrará menos para realizar desejos e objetivos;

2. Faça uma faxina financeira, registrando tudo que ganha, gasta, as dívidas se as tiver, aplicações financeiras. É necessário tirar uma verdadeira fotografia da sua real situação financeira;

3. Se estiver endividado, é hora de combater a causa do endividamento, somente procurar o credor se tiver dinheiro sobrando em seu orçamento financeiro, caso contrário não faça acordos que não possa cumprir, é preciso ter muita calma nesta hora;

4. Em situação de equilíbrio financeiro, esta situação é de muito risco, isto porque essa é uma zona de conforto, não tem divida, mas também não tem dinheiro guardado. É necessário rever seus gastos, fazendo que haja sobras no orçamento financeiro;

5. Se for investidor, mesmo assim, é preciso saber se as aplicações financeiras estão adequadas e correlacionadas com os sonhos e objetivos, é muito comum termos dinheiro investido em aplicações inadequadas;

6. Elabore seu orçamento financeiro incluindo todos os eventos periódicos como: Páscoa, Dia das Mães, Pais, Namorados, Crianças, Natal, aniversários, etc.;

7. Estabelecer os sonhos (objetivos) de curto (até um ano), médio (até dez anos) e longo prazo (acima de dez anos), sempre identificando o valor de cada um e quanto está disposto a guardar para realizá-los;

8. Ao receber seus rendimentos, retirar parte para os sonhos, antes mesmo de entrar na conta corrente, isto fará com que você adéque ao novo padrão de vida;

9. Seja o mais objetivo possível na hora de comprar, faça sempre a pergunta: O que este produto ou serviço irá agregar em minha vida? Muitas vezes compramos por impulso, envolvidos pelo marketing publicitário e pelo crédito fácil;

10. Evitar a linha de crédito do cheque especial, para quem não ainda não tem essa disciplina, aconselho imediatamente cancelar o cheque especial e negociar outra linha de credito que não ultrapasse 2,5% ao mês e a prestação deverá caber em seu orçamento mensal. Com relação ao cartão de crédito, também evite pagar a parcela mínima, esta linha de crédito é ainda maior que o cheque especial;

Reinaldo Domingos - Educador e Terapeuta financeiro. Também é autor dos livros O Menino do Dinheiro e Terapia Financeira - (Editora Gente), e criador da Metodologia DiSOP - Educação Financeira

quarta-feira, 25 de novembro de 2009


10 programas legais para levar no pendrive 

 Fabiano Candido, de INFO Online
O pendrive não serve apenas para guardar arquivos de vídeos, fotos ou textos. O pequeno dispositivo é excelente para armazenar e rodar programas. Isso mesmo, programas.
Na web, o internauta encontra antivírus, suíte de escritório, navegador, editor de imagens, entre outros, para instalar no pen drive. Apesar de serem customizados, os aplicativos para o dispositivo têm as mesmas características da versão que é instalada no HD do micro. Portanto, se o programa original é estável, seguro e eficiente, a versão para pen drive também terá as mesmas características.

Conheça e baixe, abaixo, uma seleção de 10 bons programas feita pelo Downloads INFO.
VLC Media Player Portable 1.0: esse player de vídeo e de áudio encara os principais formatos disponíveis na internet, como DivX, XviD, MPEG-1, MPEG-2, AVI, MOV, WMV, Real, SVCD, Matroska, 3GP, FLV, Cinepak, FLAC, Ogg e muitos outros - sem necessitar da ajuda de nenhum codec adicional.  Entre os principais diferenciais do VLC, estão o suporte a arquivos de legendas e o conserto de vídeos AVI com partes corrompidas.
Firefox 3.5 Portable: nessa versão portátil, o popular browser da Mozilla mantém o suporte aos complementos (pequenos aplicativos que dão ao Firefox outras funções, como editor de textos e imagens, software de bate-papo e player de áudio, entre outros). A rapidez para carregar páginas web e a tradicional estabilidade do programa também estão presentes na versão para pen drive.



Miranda IM Portable 0.8: esse software, para quem não conhece, é um mensageiro instantâneo alternativo. Construído com software livre, o Miranda é compatível com as redes do Windows Live Messenger (MSN), AIM e ICQ. Ou seja, os internautas podem acessar, do programa, os contatos dessas serviços de bate-papo virtual. Como no original, dá para gravar as conversas nessa edição portátil do programa.

7-zip Portable: eficiente compactador de arquivos, esse programa funciona com os formatos mais comuns de compactação, como o ZIP, o RAR e o ARJ, entre outros. Como os outros aplicativos do ramo, ele também tem um formato próprio, o 7Z, que promete comprimir os arquivos com 50% mais eficiência em relação ao tradicional formato ZIP.

 Google Chrome 4 Beta Portable:um dos grandes atrativos desse navegador é sua rapidez. Mesmo com diversas janelas abertas, ele consegue responder rapidamente aos controles do internauta. Essa característica faz do Google Chrome o navegador ideal para quem tem um computador velhinho, com pouca memória, processador lento e quase nenhum espaço no disco.
 
Thunderbird 2 Portable: desenvolvido pela empresa que criou o Firefox, esse aplicativo de e-mail é equipado com um filtro que colore as mensagens que o internauta recebe. Tem ainda ferramentas para a criação de backup e anti-spam. Recursos tradicionais como o suporte a várias caixas de e-mail e catálogo de endereços também estão presentes no Thunderbird portátil.


PortableApps Suite Standard 1.5: um “escritório de bolso” é uma boa analogia para definir esse software. Ele instala no pen drive programas para ler arquivos PDF, editor textos, planilhas e imagens e player de vídeo e áudio. Além disso, instala também uma agenda e um gerenciador de senhas, entre outros aplicativos. Por ser um pacotão de programas, o PortableApps Suite Standard 1.5 é indicado para dispositivos com mais de 2 GB de memória.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Como fica a imagem da marca UNIBAN depois do caso Geisy Arruda?

Por Fábio Bandeira de Mello - www.administradores.com.br




O caso da estudante de Turismo da Universidade Bandeirante (Uniban), Geisy Arruda, de 20 anos, hostilizada dentro da própria Universidade por usar um vestido curto, levantou questões e repercutiu até na mídia internacional, como no "The Guardian" e no "New York Times" (veja a repercussão internacional). Como isso afetará na imagem da marca UNIBAN daqui pra frente?
 
A falta de posicionamento da Uniban às proporções alcançadas com a manifestação contra Geisy, somada ao anúncio de sua expulsão - e à decisão final de não expulsá-la, podem ter prejudicado decisivamente toda a imagem construída ao longo de 15 anos. Apesar da Uniban voltar atrás da decisão de expulsar Geisy, a sucessão de equívocos acabou por fazer com que a opinião pública ficasse ao lado da estudante e condenasse a atitude da Universidade.

José Roberto Martins, especialista em marketing corporativo e sócio-diretor da Global Brands, afirma que a imagem da Uniban ficará associada a aspectos negativos de uma instituição privada de ensino superior que deveria se mostrar antenada com o seu tempo. “Isso marcará a imagem da marca de modo permanente, tanto quanto marcaria um fato positivo de impacto. Ficará a pecha de uma instituição ultrapassada, intolerante e incapaz de resolver um problema que não poderia ter mais consequências do que as havidas”, afirma Martins.

O especialista ressalta, ainda, que a Uniban deveria tomar diversos cuidados para proteger a imagem da instituição. Isso inclui entender a importância da marca e solicitar o auxílio de sua assessoria de RP (relações públicas) para acompanhar todo o processo e dirigir o discurso  do tratamento à questão.

“De modo geral, as empresas que tratam problemas dessa natureza de modo atabalhoado são movidas pelo que chamo de ‘arrogância da marca’, na qual a empresa se julga blindada e que poderá controlar a imagem da marca, o que é cada vez menos possível. A gota d’água foi a nota a imprensa, muito mais que a decisão de expulsar, possivelmente desnecessária. O tom do comunicado passou para toda a sociedade uma posição discriminatória, de censura unilateral ao comportamento da aluna, fosse ele errado ou não”, afirma Martins.

O especialista finaliza ressaltando que as pessoas vincularão a marca da universidade ao episódio durante muito tempo, o que exigirá da Uniban providências imediatas. “Será preciso avaliar o impacto na imagem da marca; criar uma força tarefa por pelo menos dois anos para tratar do assunto; reposicionar a marca; criar uma estrutura para lidar com as deficiências da organização (segurança, pessoal administrativo ultrapassado; disciplinas, etc).”

Caso e Consequência

No dia 22 de outubro, o drama da estudante Geisy começou quando ela frequentou uma aula com um vestido curto, o que causou revolta entre os demais estudantes. Vídeos inseridos na internet mostram os alunos hostilizando e humilhando a aluna. O fato foi tão grave que Geisy só conseguiu deixar as dependências da Uniban após a chegada da polícia.

Na segunda-feira (9), foi aberto um inquérito pela Polícia Civil de São Bernardo do Campo e o caso será apurado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). De acordo com a defesa de Geisy, serão investigados sete crimes: difamação, injúria, ameaça, constrangimento ilegal, cárcere privado (a garota ficou em uma sala até a PM chegar), incitação ao crime e ato obsceno dos alunos.

Notícias Relacionadas: